segunda-feira, 18 de abril de 2016



              Hoje minha pequena Cecília Cristina Dias Paulino foi ter com Deus. Foram 2 meses e 6 dias na UTI, meu pai celestial achou por bem levar ela para junto dele. Obrigado pelas orações e palavras de incentivo, o sepultamento será em Vargem Grande, assim que tiver os detalhes eu divulgo para os amigos que quiserem dar seu até logo a minha pequena...


Alexandre Morais Paulino

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Carne ao molho madeira

Fotomontagem a partir de imagens obtidas na net.

Vem ao vento, nos diz,
Lá na Floresta Amazônica,
Derrubam-se arvores, 
Caem arvoredos,
A Floresta sangra,
Definha, pede socorro.

A cada filha-mãe verde morta,
A cada filha-mãe verde tombada,
A cada filha-mãe verde derrubada,
A cada filha-mãe verde que se corta.

Vem ao vento, nos diz,
Lá na Floresta Amazônica,
Plantam-se pés de gado.
Sobem os lucros,
Polpudas contas infladas de verdes notas.

A cada mãe-filha verde morta, morremos também.
A cada mãe-filha verde tombada, tombamos também.
A cada mãe-filha verde derrubada, derrubados somos.
A cada mãe-filha verde cortada, cortados somos também.

Vem ao vento, nos diz,
Ao prato nossa fome é saciada,
Somos servidos por generosas porções,
Carne, carne ao molho madeira,
Madeira da nossa mãe morta ao chão.



Alexandre Morais Paulino

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Haicai

Charge publicada no Jornal Folha de São Paulo de 17/12/2015.


Se um mata, diz terror.
Muitas empresas nos matam:
Capital, que horror.
                                         Alexandre Morais Paulino
                                                                    16/11/2015

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Lá no velho mundo
Cento e vinte se vão ao vento.
Terror calou fundo.
                                        Alexandre Morais Paulino
                                                                   16/11/2015


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Nota:
             O hokku (composto de 17 fonemas 5-7-5) é a primeira estrofe do tanka (composto de 31 fonemas 5-7-5-7-7) - poema japonês - se originou no século VII DC.
             No Brasil o haicai (termo abrasileirado), foi apresentado em 1906 por Monteiro Lobato ao publicar o artigo “A poesia japonesa” em O Mirante, de Pindamonhangaba.
          Em 1919, o poeta Afrânio Peixoto adotou em sua construção poética, para o haicai, o formado de três versos sendo o primeiro e o terceiro com cinco sílabas métricas, o segundo com sete.
             Muitos outros poetas se dedicaram ao haicai sem terem uma rigidez métrica como base, tais como: Carlos Drummond de Andrade, Paulo Leminski e Millôr Fernandes, entre outros.


Informações extraídas: GUTTILLA, Rodolfo Witzig (organização, seleção e introdução). Boa Companhia Haicai. São Paulo. Companhia das letras, 2009.

sábado, 21 de novembro de 2015

E agora

http://colunas.gospelmais.com.br/brasil-um-pais-em-crise-moral-politica-e-crista_11006.html

E agora João,
O emprego se foi,
A porta se fechou,
O salário acabou,
O final do mês lhe deu oi.

E agora Pedrão,
O dia se foi,
A noite chegou,
A fome apertou,
O choro da criança não se foi.

E agora Carlão,
O dinheiro se foi,
A conta chegou,
O caldo entornou,
O cobrador lhe deu oi.

E agora Brandão,
A firma se foi,
O cinto apertou,
A escola abandonou,
O amor em busca d’outro se foi.

E agora Marcão,
O que foi se foi,
O mercado não pagou,
A oferta não chegou,
O oficial de justiça lhe deu oi.

E agora todos nós
Somos Joões, Pedrões, Carlões, Brandões ou Marcões,
Todos em busca de novos ois,
Todos deixando o infortúnio dos senões,
Todos, eles e elas, todos em busca de novos amanhãs.

Alexandre Morais Paulino

Favo de Mel


             Este ano participei de meu primeiro concurso literário, Favo de Mel, recebi com muita felicidade a notícia de ter dois textos selecionados, um poema (Há trinta dias) e uma crônica (A Caixa), no último dia 16/10/2015 foi o lançamento da Antologia Favo de Mel. 

            Sei que tenho estado ausente deste espaço, no entanto, precisava dividir com vocês este reconhecimento das besteiras que escrevo.

            Grande abraço a todos!!!!

Alexandre Morais Paulino

domingo, 6 de outubro de 2013

Xerife Planetário

Foto Montagem a partir de imagens na NET


          O que acontece na Síria, talvez não seja o foco real. A denúncia por parte da oposição ao governo de Bashar al-Assad de que no ataque a Damasco haviam sido usadas armas químicas e 1300 pessoas perderam suas vidas em decorrência disso, a notícia nos remente a mais bruta face da barbárie humana.
          No entanto se levarmos em consideração que os países vizinhos da Síria: Iraq, Kuait, Arábia Saudita e Irã, produzem juntos 34 milhões de barris de petróleo dia, e se também for levado em consideração que o estreito de Ormuz transporta 17 milhões de barris dia, o Canal de Suez e o gasoduto Sumed 3,8 milhões de barris, tudo isso muito perto da Síria.
          Além disso, o que insere um tempero extra a tudo é o fato de ser o Irã o principal fornecedor de armas da Síria. Nesse contexto, vemos novamente os EUA assumirem a postura do xerife do mundo, o grande paladino com suas botas lustrosas vem para impor sua ordem, seus valores éticos e morais, mas será essa postura, esse véu branco que nos é apresentado, fruto da mais pura verdade, ou, o contexto econômico fala mais alto que a contabilidade da mortalidade, as afrontas aos direito humanos dos quem por força do regime, mudos estão, acuados estão, com seus olhos fitos no deserto a espera que a comunidade internacional tome posturas que além de salvar suas vidas, resgate a dignidade que lhes foi arrancada.

          Não acredito que o governo de Bashar al-Assad deva ser defendido, mas isso não significa que a postura dos EUA seja digna de defesa, uma vez que parece-me ser, essa postura calcada muito mais preocupada no ouro negro do que com as vidas envolvidas neste ou em outros conflitos.

sábado, 14 de setembro de 2013

Foto montagem com imagens obtidas na net

Há João que encare seus problemas.
Há José que encare seus problemas.
Há João que seus problemas transforme.
Há José que seus problemas transforme.
José os seus em precipícios.
João os seus em âncoras.
José precipício a frente tem.
João âncora a frente tem.
José acorda que corda tem.
José sem beira que madeira vem.
José precipício profundo quem tem?
José, corda, madeira, que fez.
João acorda que corda tem.
João que tal metal tem.
João âncora pesada, quem tem?
João, corda, metal, que fez.
José, corda, madeira, que fez.
João, corda, metal, que fez.
José precipício a frente tem.
João âncora a frente tem.
José com corda, madeira, ponto fez.
João com corda, âncora, nó fez.
José com ponte precipício passou.
João com nó a âncora se prendeu.
José precipício atravessou.
João âncora ficou.
Um seu problema enfrentou.
Outro seu problema ficou.
Um, seu caminho seguiu.
Outro sem caminho ficou.
Ficou até nó desfazer.
Ficou até âncora soltar.
E seu caminho seguir.
A procura de outra âncora.
A procura de novo precipício.
E com eles crescer.

Escrito em 30/08/2013 - 14:38

domingo, 25 de agosto de 2013

Love a História de Lisey

Adaptação de Silvana Mattievich sobre design original de Hauptmann & Kompanie

Autor: Stephen King
Tradução: Fabiano Morais
Editora: Editora Objetiva Ltda

          Até onde vai o amor? Será que ele é capaz de transpor os limites da realidade? Será que ele é capaz de transpor os limites da morte? E a inspiração, o que faz uma pessoa se transformar em um grande escritor, será que a inspiração é mais que a magia invisível que move nossa imaginação, será que ela é um dom ou uma maldição. Neste livro esses elementos se misturam e formam a trama de um livro delicioso, desses que nos convida a viajar pelo mundo fantástico de um homem estranho e as marcas que ficaram depois da sua partida.

     Lisey é a esposa desse grande escritor que se foi, a memória de um grande amor, a saudade, as lembranças, os manuscritos não publicados, o assédio dos estudiosos da sua obra, um fã psicopata, uma irmã “meio louca”, um mar de fãs que admiram sua obra, uma vasta fortuna, histórias malucas de uma família muito mais que maluca e a chave para um mundo mágico e perigoso, esses são os elementos de sua herança, é com eles que ela tem que lidar, são eles que irão fazer cada leitor embarcar em um livro que pelo menos a mim prendeu, envolveu e que não fui capaz de largado até seu fim. 

       Este é o primeiro livro que leio de Stephen King, que teve tantos livros transformados em filme; A Tempestade do Século; Um sonho de Liberdade; A Espera de um Milagre, são alguns exemplos que despertaram em mim curiosidade e interesse. Ele é considerado como um dos mestres do terror/suspense, neste livro sua fama é confirmada com louvor ficando um gostinho de quero mais.

domingo, 18 de agosto de 2013

Noite Fria.

Foto montagem de imagens obtidas na net

          Ontem primeiro ele, o frio veio ter comigo e sua visita me fez refletir. Há muito não pensava sobre os motivos que me levaram a morar na rua, sabe já tive família, um bom emprego, amigos. Você meu amigo, deve saber que a vida é uma montanha russa, uma hora lá em cima no topo do mundo e em outra no fundo do poço, um turbilhão de coisas, as dificuldades, os dissabores e você precisando de algo, algo que lhe dê a sensação de que pode mais, que é mais que os outros, primeiro a bebida o convívio com os outros, todos meus grandes amigos, tão grandes amigos que sempre ofereciam mais, mais e mais, todos se entendiam, todos sorriam, todos queriam mais, todos queríamos mais, todos e todas, sempre havia mais, mais um traguinho, mais um fuminho, mais uma pedrinha.

         Primeiro o emprego, aquele chato do chefe com aquele história de concentração, foco nos resultados, blá, blá, blá, aconselhou-me a procurar ajuda e tome blá, blá, blá. Numa  bela manhã o dedo em riste me indicando a direção da rua, raiva, ódio, como pode, quem eles pensam que são, naquele dia pela primeira vez levanto a mão para ela, perdi a conta quantas vezes isso aconteceu, chegava em casa com a cabeça zuretada e tabefe, antes de sair tabefe, tabefe, tabefe e tabefe, até que um dia acho a casa vazia, melhor assim.

          Agora nesta noite vazia, fria, com minha garrafa vazia, com minhas pedrinhas, meus trapos, tenho ele a me embalar, com seu toque gélido, seu hálito sussurrado em meu ouvido, tudo ficaria bem, ele estava ali para me embalar, para me preparar para ela que vinha também ter comigo, falou-me de outro lugar onde ficaria esperando por outras aventuras, meus dedos estão formigando, tento acender meu cachimbo mas meus dedos me faltam, o frio me envolve, sinto meu pé formigar de uma forma incomoda, ele o frio me acaricia, lentamente sinto uma zomzera diferente, o formigamento vai parando, ele se foi, já não o sinto mais.

          Lentamente abro os olhos e vislumbro ela, é alta e esguia, já não sinto medo, aparece que tudo ficou para trás, ela me oferece seu toque, é quente, reconfortante e inspira uma confiança que há muito não sentia, diz que ira me levar para uma outra aventura, para outro lugar, de relance olho para trás e vislumbro uma carcaça vazia envolta em trapos, olho para frente e sigo, sigo com ela, minha amiga.

sábado, 10 de agosto de 2013

Uma Tragédia Anunciada?

Foto Obtida no Facebook e divulgada pelo R7 acesso 08-08-13
http://noticias.r7.com/sao-paulo/fotos/policia-investiga-se-menino-de-13-anos-matou-a-familia-06082013#!/foto/1

          E se você entrasse em uma casa e se deparasse com três cadáveres,  na casa dos fundos mais dois, uma família. Um menino de 13 anos (Marcelo Pesseghini), sua mãe (Andréia Bovo Pesseghini cabo do 18º Batalhão da polícia militar), seu pai (Luís Marcelo Pesseghini sargento da Rota), sua avó, sua tia avó, e se o agente policial lhe dissesse  que o menino matou o pai com um tiro na cabeça enquanto dormia e isso acordou a mãe, que morreu ajoelhada talvez implorando pela vida, nesse momento o garoto vai até a casa dos fundos e também com tiros mata sua avó, mata sua tia avó, também com tiros na cabeça, também enquanto dormiam, depois disso tudo, imagino que tenha tomado banho, vai até o carro da família e dorme, acorda no dia seguinte e vai até a escola guiando o carro da família e assiste a aula normalmente, volta até sua casa e se mata. Essa é a versão da polícia até agora.

        O comandante do cabo Andréia (a mãe), Wagner Dimas coronel da polícia militar, disse à impressa que ela havia denunciado colegas de farda por estarem envolvidos com roubo de caixas eletrônicos, ele coronel disse não estar totalmente certo da versão do garoto ser o responsável pela morte da família. Segundo um amigo do garoto Marcelo Pesseghini, ele já o havia convidado para fugir de casa, queria ser matador de aluguel, mataria os pais e fugiria com o carro para viver em um lugar abandonado. Segundo o colégio Stella Rodrigues, Marcelo Pesseghini em sua última passagem pela escola no dia 05/08/2013, em seu último dia de vida, após ter matado sua família, antes de se matar (segundo a atual versão policial), se comportou normalmente não dando mostras de que algo fora do comum tivesse ocorrido, a escola ainda revela que seus pais sempre foram presentes e participativos nas atividades da vida escolar do seu filho.

          Essa notícia choca, nos mostra algo que gostaríamos de não ver, não ouvir, mas está lá na realidade e ignorar a realidade e fazer de conta que não existe, é dar margem para que ela se perpetue, se repita, devemos sim nos debruçar sobre ela, estudar o que levou um garoto a executar tal coisa (se é que a versão da polícia se confirme), e aprender, aprender o sinais que antecedem a tragédia e talvez quando esbarrarmos com uma outra possível tragédia evitá-la.

PS: As informações foram obtidas nos sites da R7 e do jornal Folha de São Paulo.’’



sábado, 3 de agosto de 2013

A menina que roubava livros

Capa do livro (Mariana Newlands)

Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca

          O autor elegeu uma das personagens para ser o narrador da historia de uma garotinha orfã de pai e que a mãe sem condições financeiras para criar a filha se vê obrigada a dar sua filha Liesel para adoção, essa garotinha em momentos pontuais estabelece uma relação com livros, que para ela são tesouros que a ligam a sua realidade (ou a libertam) e ao momento que está vivendo, o prazer que ela sente com a aquisição do livro, a descoberta, a conquista da leitura.

         O pano de fundo é a Alemanha nazista da 2º guerra, o livro mostra de forma fantástica o que é viver num país nazista sem ser nazista (imagino a legião de pessoas que passaram por esta situação), as pressões de cunha ideológico e financeiro que a família que adota a pequena Liesel sofre. O ponto alto dessa situação é esconder um jovem judeu em seu porão, as dificuldades e a magia desse ato.

        E o que considero ser um dos pontos fortes desse livro, a escolha da personagem que narra a história, ninguém menos que a morte, que narra de forma distante (como era de se esperar da morte), participando em momentos pontuais, levando as almas que vão sendo ceifadas ao longo da história pela dura realidade de uma das guerras que mais marcara a raça humana.

sábado, 27 de julho de 2013

Querendo querer

Foto montagem de imagens obtidas na net (FhotoShop)


          Não quero, o querer.
          Esse querer, que anda por ai
          Como um sem querer, que sai por ai
          Esbarra em meu querer e lhe toma por ai

          Que lhe envolve e não lhe devolve,
          Que me emudece que me entristece, 
          Que lhe espreita e não lhe respeita,
          Que me embrutece, que me endurece.

          Não quero que seu querer
          Esse querer que anda por ai,
          Como um querer, que sai por ai,
          Esbarra noutro querer e lhe tomo por ai.

          Que lhe emudece e pode lhe entristecer,
          Que me envolve pois não me devolve ,
          Que lhe embrutece e pode lhe endurecer,
          Que me espreita pois não me respeita.

          Não quero que meu querer,
          Esse querer, que anda por ai
          Como outro querer, que sai por ai
          Esbarra sem querer, onde não há querer.


Escrito em 21/09/2008

sábado, 20 de julho de 2013

Inquebrável

Foto montagem de algumas pessoas que participam do projeto.


          Sempre enxerguei o ato sexual como uma comunhão entre duas pessoas, estar dentro de outra pessoa como a maior intimidade que pode ser oferecida, as sensações, os odores, os sabores, a troca de carinho, tudo caminhando para uma erupção em que ambos possam compartilhar da criação de um momento único e poderá transformar-se em sequências de momentos únicos.

          E quando o ato sexual é fruto de uma violência, quando utilizando de força bruta um indivíduo force outra pessoa ao ato, imagino que esse momento deva deixar cicatrizes que devam acompanhar a pessoa por toda sua vida, a forma como a sociedade passe a encarar a pessoa, com pena, com reprovação, com outros olhos. Acredito que via de regra a pessoa procure se esconder, esconder o que acorreu e com isso obter um conforto mesmo que não verdadeiro, mas isso também protege o agressor, a impunidade deve incentivar a continuidade da violência, que outras vítimas possam sofrer nas mãos do agressor.

          O projeto Unbreakable (inquebrável), da fotografa norte americana Grace Brown, busca exatamente a quebra do silêncio, nele pessoas que sofreram esse tipo de violência se deixam fotografar com cartazes onde dizeres dos agressores no momento da violência são mostrados, acho que uma maneira de continuar a vida seja enfrentando os problemas apresentados por ela, parabéns a Grece Brown pela iniciativa e principalmente parabéns aos participantes pela coragem de mostrar ao mundo a face da violência, mostrar ao mundo sua face e mostrar que são fortes, que são inquebráveis.




sábado, 13 de julho de 2013

Orgulho, Calo, Fronteira...


Meu orgulho ferido fere seu orgulho, que ferido, meu orgulho ferir vai.
Seu calo que pisado foi, agora pisar um calo procurar vai.
A fronteira que invadida no ontem foi, no hoje retomada a força de baionetas e sangue foi.
A cada círculo formado, um novo circulo iniciar vai.
Orgulho, calo ou fronteira, nada importa.
Importa mesmo é o poder.
Poder de seu orgulho ferir.
Poder de seu calo pisar.
Poder de sua fronteira invadir.
Poder de minha baioneta desembainhar.
Poder de seu sangue derramar.
Mas importar, importar mesmo, é o poder.
Poder para o orgulho engolir e perdoar.
Poder para depois do calo pisado, os pés de seu oponente lavar.
Poder para seu território recuperar sem sangue derramar.
Poder para todos unidos estarmos.
E juntos seguirmos para o futuro.
Futuro que fronteiras não existam.
Existam apenas homens livres.

Primeira publicação:

Inspiração


          Acordo no meio da noite, lentamente abre meus olhos e fito o teto, pensamentos conturbados vindos do cotidiano me assolam, o que fazer, para onde foi ele o sono, levanto, uma folha em branco, um lápis, a inspiração onde está?

          Eu e o lápis iniciamos nosso trabalho, neste momento ele vem, vem como sempre vem, sem avisar, apenas vem, como sempre devagar me toma, como toma você, como toma ele, eles, elas, a todos, meus olhas vão lentamente se fechando, justo agora, agora que escrever ia, ele o sono me vem, chega e me leva ao mundo dos que acordados não estão.

          Neste momento do lápis dois pequenos braços brotam, e esses dois pequenos membros começam seu esforço para de meus dedos se libertar, primeiro um braço, depois o outro, suas pequenas mãos se apoiam em meus dedos e empurram seu esguio corpo de lápis para cima, um, dois, de novo, de novo, força, força, força que forma toma até que se faz livre. Da folha dois olhos brotam, uma boca, quem diria o lápis olhos e boca também têm, e os dois iniciam algo sul real.

          “- Ele dormiu.”

          “- Sim, dormiu.”

          Ambos piscam e seu trabalha inicio tem, a folha sobre a mesa, o lápis sobre a folha, escrevem, contam uma história de uma terra distante, mágica, falam do amor, das pessoas, da brisa soprando que leva os sonhos a experiências extraordinárias, levam suas personagens aos labirintos da vida...

          Acordo com um leve incomodo no pescoço, abro meus olhos e fito a folha sobre a mesa, o lápis sobre a folha, imóvel como um lápis deve ser, pego a folha que preenchida está, leio, releio, gosto do que vejo, apesar de não me lembrar de ter escrito nada, talvez a sonolência inspiração me deu. Deixo a folha e lápis sobre a mesa e me dirijo para a cama, para meu sono terminar. 

Primeiras publicações: